
Você estaria interessado em fazer parte da produção de um filme?
Pois é, no caso de “The Tunnel“, você pode comprar um frame do filme por apenas $1 e fazer parte de um inovador projeto de crowdsourcing que está desafiando Hollywood.
Com as novas “armas de colaboração em massa”, a ideia da equipe da Distracted Media é conseguir levantar fundos para o que eles chamam de 135K Project, o custo necessário para que o filme seja finalizado ($135,000), e que será distribuído totalmente free via torrent.

Se o projeto der certo, podemos estar diante de uma nova formula para as produções independentes, que desafia o poder dos grandes estúdios de Hollywood, e traz consigo um novo approach ao mundo do cinema, tanto na sua forma de produção quanto de distribuição, com total base no poder das mídias sociais e da geração cibernética.
As páginas do Facebook e a conta do Twitter do filme estão sendo constantemente atualizadas com novas fotos e materiais de divulgação do projeto.
Abaixo uma sinopse em inglês e um teaser do filme, que será um mix de thriller e terror. E aí, vamos ajudar?
An investigation into a government cover-up leads to a network of abandoned train tunnels deep beneath the heart of Sydney. As a journalist and her crew hunt for the story it quickly becomes clear the story is hunting them.
























A ideia é sensacional, mas existe um erro de conceito. Possuir um ou mais frames não me permite participar do filme de nenhuma maneira, apenas pagar por ele. Então isto não é crowdsourcing, é uma vaquinha gigante!
É Maria, eu concordo em partes com você.
Por mais que a coisa toda pareça uma vaquinha gigante, a ideia do crowdsourcing está na questão de que fazer uma doação de apenas $1 fará com que você seja parte para que o vídeo aconteça, ou seja, o filme só acontecerá se você ajudar.
E ajudar faz com que quem esteja participando, crie uma relação mais direta e até mesmo sentimental com o filme, ajudando a promovê-lo e disseminando o mesmo em redes sociais para os amigos. É uma coisa voluntária e que através dos conhecimentos coletivos espalhados pela internet irão ajudar a resolver um problema.
Acho que de certa forma isso trata-se de um crowdsourcing. Pois a coisa toda vai muito além do que simplesmente ratear o valor do filme entre os internautas.
ah, não. filminho de terror barato não dá.
Sensacional! Uma iniciativa assim me parece muito show. Se o cinema tomar as proporções do software livre, acho que teremos filmes cada vez melhores e distribuídos gratuitamente.
Ótima iniciativa.
É Verdade adorei a idéia!!!
Concordo com a Maria Carolina: é uma imensa vaquinha. Se somos “investidores”, não deveríamos então de alguma forma palpitar no roteiro, na produção e na direção? E software livre todo mundo sabe que está nas mãos de especialistas, e especialistas que nem sempre sabem “ouvir” as necessidades de não-especialistas. Então, forçando a barra, essa iniciativa não passa de uma crowdistribution, nada além.
Cícero,
realmente o modelo de colaboração não é igual ao praticado com Software Livre. Mas quanto a sua afirmação:
“E software livre todo mundo sabe que está nas mãos de especialistas, e especialistas que nem sempre sabem “ouvir” as necessidades de não-especialistas.”
Isso é um equívoco enorme. Quando o Torvals criou o Linux, ele era apenas um estudante de faculdade, estava longe de ser especialista em sistemas operacionais. Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode criar um projeto de software e torná-lo livre, ou ainda alterar um projeto já existente e distribuí-lo com a mesma licença livre.
Ah, Rafael, dizer “equívoco enorme” não é lá um exagero enorme? Talvez um equívoco “bem na medida”, simplesmente um equívoco de não-especialista. Um não-especialista, por exemplo, que odiava instalar programas através de linhas de comando, ou procurar bibliotecas adicionais pra essa instalação sei lá onde, isso quando os softwares proprietários já haviam deixado há anos de fazê-lo. (Mas, calma, eu sei que essas agruras são águas passadas, foi só uma provocaçãozinha…rs.)
Agora, equiparar um não-especialista qualquer, como eu, ao Seu Linus, mesmo um ainda estudante, não soa no mínimo estranho? Como eu posso me considerar um quase-especialista em roteiros audiovisuais, deixa eu te dar uma amostra da enorme diferença da coisa:
Você, Rafael, ou um não-especialista qualquer, poderiam assim do nada sugerir uma determinada idéia para que um roteiro audiovisual já preexistente se tornasse uma história fantástica.
E na verdade mais: e mesmo criar essa história por inteiro, do início ao fim, e, em vez de registrá-la na Biblioteca Nacional como salvaguarda de seus direitos de autoria, lhe disseminar na Grande Rede sob os auspícios de termos semelhantes à GPL (Criative Commons?).
E na verdade ainda mais: você, assim como um não-especialista, poderia até produzir e dirigir esse roteiro, e por fim fazer a distribuição gratuita da sua criação. Se tiver “cara” de filme feito por especialista (e a Distracted Media tem essa cara, né?), haveria então boa margem pra você ou pra um não-especialista lhe bancarem, não haveria? Ou na fase de produção, divulgando um teaser tão bacana quanto esse do The Tunnel pra aguçar os investidores dos, hum, frames ainda não produzidos, ou após assistir ao filme já finalizado, com doações pra que seus realizadores possam encarar uma obra seguinte.
Mas não necessariamente: se for um filme caseiro e/ou trash que encanta e detona (e aí você vislumbra o “cálculo” dos caras, na tentativa de confeccionar um Bruxa de Blair ou um Rec ou um Atividade Paranormal mais sofisticado), você ou um não-especialista estariam feitos do mesmo jeito, não estariam?
Agora, eu, sem um mínimo de especialização em programação de softwares, o máximo que posso fazer é tentar ser “ouvido”, ou seja, gritar aos criadores de códigos, proprietários ou livres, para que eles façam seus produtos funcionarem da forma mais ordinariamente simples e amigável.
(E é por isso que eu passei a tomar gosto pela Apple. Não porque é cool, fashion e coisa e tal. Simplesmente porque já estou me preparando pra sossegar na terceira idade, oras! rs.)
Investidor não palpita no elenco, e nem na produção. Ele fica a par do projeto e decide se quer ou não fazer parte dele.
Então tá. Se me apresentarem um projeto com X1 história, Y1 elenco e Z1 produção, é bem provável que eu decida não investir. Mas se for história X2, elenco Y2 e produção Z2, talvez aí me dê na telha de investir. Agora, se minha compra de frames de X3, Y3, Z3 apenas significar que eu apenas esteja dando uma força para o já previamente decidido como projeto ganhar uns frames a mais, acho muito mais razoável de minha parte, como “pós-investidor” esperar a finalização, a estréia, as avaliações de crítica e público e aí decidir se vou ou não bancar ingresso.